6.11.14
Minas vai parar? Conta outra
Em primeiro lugar, o desajuizado que condena as alterosas à letargia enquanto durar o duelo entre Atlético e Cruzeiro demonstra desconhecimento das Minas Gerais, esse território imaginário que começa no interior de Mato Grosso do Sul para acabar numa praia qualquer entre a Bahia e o Espírito Santo. Em segundo, sabe-se lá se essa faísca um dia há de sumir.
Acusar uma paralisação mineira em pleno ambiente de decisão da Copa das Minas Gerais significa ignorar o comércio de bigodes e perucas, setor que espera um crescimento exponencial até o fim de novembro. Desprezar a venda de camisetas azuis, brancas, pretas, brancas, azuis e brancas, pretas e brancas. Desmerecer a luta por um ingresso que leve às pelejas do Horto e da Pampulha. Desacreditar todo o debate que, porventura, se encerrar num bar em Januária ou em Sete Lagoas.
Minas, locomotiva do futebol brasileiro, capaz de revelar seus Tostões e Reinaldos e redescobrir-se com Willians e Luans, nunca vai parar. Em cada um de seus 853 municípios, há quem acredite, há quem combata; e esses tipos foram exportados até mesmo para terras em que seja impossível encontrar polvilho. E Minas não parou nem quando seus filhos ficaram tão distantes de um ingrediente tão essencial quanto enjeitado do pão-de-queijo.
Novembro de 2014 ficará para a história como o mês em que o polvilho — seja o doce, seja o azedo — ultrapassou as fronteiras das alterosas, fez seu o Brasil e enfim desembarcou em Nova Jérsei. Como se Minas Gerais precisasse de uma prova de força maior do que a de 2013, quando só não tomou conta do mundo por um tropeço do destino e outro de Ronaldinho, filho varão devidamente mandado para descansar no interior do México.
Minas ferve desde ontem, quando descobriu-se sede da Copa das Minas Gerais. Só vai cogitar descansar em dezembro. E nem o pequeno lado verde, se é que restou algum, conseguirá ignorar o que está acontecendo naquele que já foi seu alpendre.
Artigo publicado no Estado de Minas
23.4.13
Onésio e Dolores
Companheiro diligente, Onésio jamais saía da sela. Tudo pelo bom sorriso de Dolores. Assim, visitava a roça dezenas de vezes por dia e outro punhado à noite. Quando a lua acendia, Dolores pensava naquele homem. Sumira sem ela perceber. Dos rastros e ciumeiras, só mesmo as lembranças. Parada, voltava a enxergá-lo. Sorria.
Conhecia o amado, não pretendia vê-lo enfastiado. Por isso, todas as noites, se revoltava pela primeira vez com o velho corcunda que vinha deitar-se a seu lado. Onésio vai voltar, te matar e me levar junto, anunciava. O senhor saía sorrindo para o sofá, velava de lá a alienação alheia.
Até o momento em que o jovem Onésio realmente voltou. Buscou Dolores pela mão e ela se foi, feliz. O velho ruiu na cama pela primeira vez em tantos anos. Deixou-a somente ao notar que uma jovem de vestido de flanela listrada o convidava para acompanhá-la. Que belo sorriso, pensou.
18.3.13
Vírgulas self-service
13.2.13
24.1.13
22.1.13
19.1.13
Três pedidos
Marluci encontrou uma lâmpada mágica esquecida entre duas seções do sex shop. Vazia, empoeirada e em busca de algum esfregador, as duas. Escondeu-a na bolsa enquanto tentava encomendar mentalmente três pedidos.
Prioridade era um romance à Anastasia Steele, lhe parecia óbvio. O sonhado amor à primeira vista ficaria para a segunda rodada. Ou terceira? Era melhor assegurar logo a independência financeira, quem sabe. As dúvidas afligiram-na, impediram qualquer tentativa de compra.
Como as lingeries lhe travassem o pensamento, Maria Lucilene decidiu deixar o estabelecimento para definir prioridades, lâmpada à tiracolo e cesta de compras vazia.
Foi quando o alerta de furto apitou. Tal dádiva mística custava R$ 69,90. Por esse preço, melhor levar levar calcinha nova, algemas e chibata. E assim ela fez, a lâmpada que se danasse.
17.1.13
Conto do pardal
15.1.13
Mega-Sena acumulada
Juliane orquestrou o plano perfeito, a quarta-feira seria libertadora. Deixou o fulano esperando, abriu o site da Caixa e atualizou a página 14 vezes. Frustrada de pobre, chorou. Catou o telefone e se libertou para a quarta-feira.