24.4.11

Faroeste caboclo para jornalistas

Dois homens e uma mulher morreram durante um tiroteio em Ceilândia, na tarde de ontem. Dezenas de testemunhas presenciaram o crime. Os disparos ocorreram em frente a um lote vago, no conjunto F da QNM 11. O trio teria envolvimento com o tráfico de drogas da cidade, de acordo com a polícia.

Moradores afirmaram que os homens teriam chegado ao local por volta das 14h de ontem e já eram esperados por alguns curiosos - o duelo havia sido anunciado um dia antes. No primeiro movimento, Jeremias Alves Souza, 26 anos, atirou nas costas de João Campos, 23, conhecido como João de Santo Cristo. Com um rifle calibre .22, a vítima revidou, com cinco disparos. Os dois morreram no local. Maria Lúcia Souza, 22, casada com Jeremias, suicidou-se com a mesma arma.

"Foi tudo muito rápido. O Santo Cristo levou um tiro e começou a gritar que homem não atira pelas costas", conta a dona de casa Antônia Rodrigues, que lavava a calçada de casa quando o tiroteio começou. "Quando o outro olhou, o Santo Cristo deu o primeiro tiro. Depois, foram pelo menos mais uns quatro." O comerciante Miguel Gomes se emocionou ao lembrar da cena: "Se o nome dele é João de Santo Cristo, ele é santo porque sabe morrer".

Para o chefe da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Alexandre Marques, as mortes seriam reflexo da disputa por território para o tráfico de drogas: "Santo Cristo dominava a venda de entorpecentes em Planaltina e tentava avançar para Taguatinga, área de Jeremias. Para se vingar, Jeremias teve um filho com a noiva de Santo Cristo". O bebê, de oito meses de idade, foi encaminhado para um abrigo.

Infância
João de Santo Cristo causava problemas desde criança, revelou ao blag, blergh, blog uma tia da vítima, que pediu para não se identificar. "Quando ele morava no interior da Bahia, falava que seria bandido pra vingar o pai, que um soldado matou. O menino era o terror da cidade, roubava até o altar da igreja", disse.

A mudança para o Distrito Federal não acalmou os ânimos de Santo Cristo, que tinha passagem na polícia por roubo e tráfico de drogas. Ele se mudou para Taguatinga há sete anos, quando começou a trabalhar como carpinteiro. "O João ganhou esse apelido quando se envolveu com um traficante peruano", contou a tia. O delegado responsável pelo caso confirmou a informação: "Este suspeito é conhecido somente como Pablo, e está foragido. Ele traz cocaína da Bolívia e tudo o que podemos dizer é que está sendo investigado".

Para Marques, o tráfico de drogas em algumas cidades do Distrito Federal deve ficar abalado nos próximos meses. "Estes dois homens que morreram tinham controle de várias bocas de fumo. Vamos aproveitar que as áreas estão enfraquecidas para retomá-las", informou o delegado.

2 comentários:

João Paulo disse...

Ele não era tão mau assim, gostava de medicina e era o garanhão da cidade. Aos doze, inclusive, era professor. Talvez tenha sofrido bullying e tido contato com Wellington de Realengo.

Abraço, Braitner. Nunca mais te vi pela UnB, mas sempre que possível acompanho o que tu anda escrevendo.

João Paulo, lá de Unaí, do Fisk...e tal.

Braitner Moreira disse...

Mas eu não disse que ele era uma má pessoa! Só relatei o que as testemunhas me passaram.

Abraço, cara! Nem eu tenho me visto mais... Um dia a gente marca um dogão lá na praça da prefeitura, não seja por isso :P